Não, não digitei errado... Escrevi OUVIR um livro mesmo!
Depois do e-book (um grande quebra-galho para todos aqueles que querem ler mais livros do que seu bolso permite pagar) a novidade agora são os audiobooks.
Provavelmente (chutando por alto) a iniciativa tenha surgido com a proposta de socializar obras para portadores de deficiência visual e hoje em dia se tornou uma maneira prática e quase milagrosa para aquelas pessoas que precisam ler além de cuidar da(o) saúde-estética-filhos-relacionamento amoroso-higiene pessoal e da casa-locomoção além de trabalhar e estudar (ufa!), podendo carregar a leitura em seu mp3 player, celular ou qualquer parafernália tecnológica que o valha!
Parte dos audiolivros que encontrei pode ser acessado de forma gratuita, porém começa a nascer um mercado para venda dessa nova maneira de “ler” (http://www.audiolivro.com.br).
Curiosa e seduzida pela propaganda resolvi experimentar e ouvir trechos de dois livros. Um dele foi a amostra de “A mulher que escreveu a bíblia” (Moacyr Scliar), encontrado no site citado acima e “Triste fim de Policarpo Quaresma”, recolhido gratuitamente através do site www.4shared.com .
Minha impressão é de que ou os audiolivros não terão futuro ou eu tenho sério problema de déficit de atenção!
Sinceramente achei muito ruim me concentrar na história quando o tempo inteiro estou cercada de apelos, principalmente visuais, me desviando do enredo! Não tem jeito! Aquelas duas páginas tem um poder de nos absorver que apenas uma voz vinda do “além” não conseguirá substituir!
Sem contar a economia de exercício imaginativo que temos ouvindo a história!
Com um narrador onisciente talvez o problema não seja tão grande, mas quando o narrador é também um personagem fica muito estranho ter já dada a entonação e até o timbre da voz de uma personalidade que provavelmente terá incontáveis facetas para cada “leitor com olhos” (e não com os ouvidos - ?!).
O engraçado é geralmente crianças adoram ouvir histórias... Provavelmente eu era uma delas, mas hoje...Talvez minha visão tenha sido mais treinada para captar sutilezas do que minha audição...
É... de repente ouvir um livro pode ser um bom exercício... Ou não...