A terceira margem do rio - Conto do livro "Primeiras Estórias"

A TERCEIRA MARGEM DO RIO- Conto do livro “Primeiras Estórias”

Guimarães Rosa

(Nota:Guimarães Rosa era um homem extremamente religioso.Acabei por utilizar as convicções dele para elaborar o texto, as quais não são, necessariamente, minhas opiniões)

 

A terceira margem do rio....isso sempre me intrigou.Afinal, todo rio que se preze possui duas margens.Alguns até chegaram a argumentar que essa terceira margem, na verdade, seria o fundo do rio.

Contudo, não se pode negar o fato de que os textos de Rosa sempre trazem uma grandiosa metafísica no seu interior, exaltando o homem e sua força criadora.

Assim, pensei que a palavra “margem” se refere a algum tipo de limite, barreira. Quais são os “limites” máximos da vida humana senão a vida e a morte?Essas são as margens visíveis do rio, aquelas que sempre estão lá, como para nos lembrar a todo momento de sua existência.

Desse modo, resta descobrir a “terceira margem”, ou seja, o terceiro limite humano.Quem é o “limite” máximo/supremo da vida humana senão Deus?Que decide os rumos da vida humana e único capaz de decidir sobre a “vida” e a “morte”.

Acho que esse é o intuito do conto, mostrar a coragem de um homem de lançar-se ao rio e aceitar suas margens visíveis e tentar encontrar Deus, mesmo que para isso seja abandonado por sua família e ser chamado de louco.

Pegar seu barquinho e remar a esmo pelo rio da existência, e aceitando o fato de que há “vida” e “morte”; tentando, humildemente, encontrar seu Senhor.

 

No fim do conto, o filho do protagonista chama o pai e diz que irá remar, continuando a tarefa.Este volta todo feliz à margem do rio depois de muito tempo e dá um sorriso ao filho, como se dissesse: meu filho, não consegui achar Deus durante essa minha curta existência, graças a Ele você irá continuar minha busca.

Mas o filho, no momento derradeiro, fica com medo e sai correndo.O pai pega seu remo e continua sua busca solitária.

 

A metáfora é poderosa! Acredito que todo ser humano têm uma sensação de vazio dentro de si e passa a vida toda tentando preenchê-la (de modo consciente ou não).

Nosso protagonista engendrou um modo de transcender os limites da existência humana e tentar preencher esse vazio.

Infelizmente, nem todos são capazes de deixar tudo de lado e procurar um sentido para sua existência.

 


Conto “A terceira margem do rio” na web: http://www.releituras.com/guimarosa_margem.asp



- Postado por Marcos às 17h44

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Papéis Avulsos - Meu primeiro grande livro

 

No Brasil ler sempre foi sinônimo de chateação e obrigação, somente com o intuito de preencher um currículo escolar velho, ultrapassado e que não estimula os alunos de todos os tipos de escolas, seja pública, seja particular.

Assim, como eu fui parar nesse universo maravilhoso da Literatura, mesmo provindo de Escola pública estadual???

Estava eu na 5° série, quando a professora de português, a Dona Magali, entrou na sala com uma caixa cheia de livros.Num primeiro momento, fiquei todo feliz, achando que os alunos iriam ganhar, cada um, um “brinde”, mesmo que fosse um (eca!) livro.

Contudo, não era nada disso, nós iríamos pegar um livro aleatoriamente, lê-lo e escrever um resumo da história, valendo nota!

Fui lá pegar “meu” livro sem muita empolgação.Sorteei para mim o livro “O Mistério do Cinco Estrelas” do Marcos Rey, da saudosa série Vaga-Lume.

E não é que gostei???A partir dali comecei a ler todos os livros desse autor e queria mais e mais.Aqui perto de casa tem um sebo e comecei a frenquentá-lo assiduamente na procura por mais livros.Assim começou meu “vicio” na literatura.

 

Qual a moral dessa história???

Eu tive sorte, muita sorte!Quantos não são os jovens alunos que em suas primeiras leituras são obrigados a ler livros difíceis e incompatíveis com sua maturidade intelectual???Causando ódio à leitura e afastando muitos jovens dessa atividade maravilhosa.

Eu tive de ler “Dom Casmurro” na 8° série!!!!Confesso que ainda hoje o livro é um pouco difícil para mim, mas agora aprecio de verdade Machado de Assis.

 

Essa é a idéia de “ensino” no Brasil...

Obrigar jovens, quase crianças, a ler esses grandes autores na época errada e do pior modo possível.Tudo isso só para satisfazer o ego de alguns professores arrogantes e ressaltar a estupidez da política educacional brasileira, que prima somente pela quantidade e, como sempre, a qualidade é posta em 2° plano...

Isso só serviu para afastar inúmeras gerações da Literatura, que passou a ser vista como obrigação e chateação.Essas gerações perderam a chance de ver o que é, de verdade, a Literatura:um instrumento transformador do individuo e um meio de atingir a cidadania.

 

Digam o que quiserem, mas J.K.Rowliing com seu “Harry Potter” vem recuperando inúmeros leitores, adultos e crianças, de volta à Literatura.De modo que sou grande admirador dessa autora.

 

Além disso, deve haver uma mudança na estrutura de ensino.Fora com esse modelo arcaico!!!No meu curso de Farmácia e Bioquímica nós temos aulas de estatística.Fui na Biblioteca procurar livros sobre o assunto e, adivinhem???Só livros com o velho e desgastado “matematiquês”.Até que achei um livro intitulado “Introdução ilustrada à Estatística” de Sérgio Francisco Costa, que ensina estatística por meio de um livro todo manuscrito e rico em ilustrações à moda de charges.Esse, sim, é um exemplo de esforço pedagógico para tentar mudar a forma de ensinar e procurar outros modelos educacionais adequados a nossa realidade atual.



- Postado por Marcos às 16h21

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